
ilustração de Vânia Medeiros
Há muitos, mesmo muitos, muitos anos, quando os tempos ainda eram bastante difíceis, existiu um pescador. Esse pescador viveu num espaço desconhecido, num sítio onde só havia água e glaciares e onde fazia muito frio. O pobre pescador vivia em cima de um glaciar e a única coisa que tinha era uma cana de pesca. Não sabia de onde vinha nem o que estava ali a fazer, só, longe do resto do mundo. Também só sabia falar uma língua inventada por ele e não sabia o seu próprio nome. Cada vez que o verão – estação mais fria naquela zona - se aproximava mais, o pescador menos peixes conseguia pescar, porque estes emigravam.
Num dia do verão, o pescador estava a pescar e, para seu espanto, dessa vez conseguiu encontrar apenas uma esponja gigante e não conseguiu pescar um único peixe que fosse. Um dia encontrou um pau comprido, uma semana depois encontrou um pedaço de tecido… O pescador, já farto de estar tanto tempo esfomeado, só e cheio de frio, começa a pensar numa solução para sair dali. Olha para as coisas que tinha encontrado ao longo do verão e “diz para com os seus botões”: “Vamos lá começar a usar a cabecinha e a construir algo que me tire desta “prisão”!” Pegou no pau, partiu-o em três e espetou um dos pedaços na
esponja. Depois pegou no pedaço de tecido e enrolou-o à volta do pau, como se fosse uma vela. A seguir agarrou nos outros dois paus e trouxe-os para a beira-mar, para juntar ao “barco”. De seguida subiu para o “barco” levando a cana de pesca e foi a navegar pelo mar fora, sem saber onde ia parar e utilizando os dois paus como remos. Passado algum tempo, ele olha para baixo e vê…Um peixe? E era mesmo um peixe! Um peixe grande e pronto a ser pescado e comido.
A partir daí o pescador encontrou sempre muitos peixes. Demoraram uns meses até ele ver terra, mas mesmo assim o pescador acha que valeu a pena. Quando ele chegou à tal terra, ninguém lhe ligou nenhuma mas o pior era que o pescador só sabia falar uma língua, que foi a que ele inventara e que, por isso, ninguém conhecia. Um dia, um garoto viu o pescador e, como não sabia que ele não falava a sua língua, perguntou: -Quis es?
O pescador, sem perceber uma única palavra, resolve dizer algo na língua dele de modo a que o rapaz percebesse que ele era estrangeiro. E resultou!
O garoto, com pena dele, passou a ensinar-lhe latim para ele poder comunicar com as outras pessoas do país e deu-lhe o nome de Dinis. Passados dois anos de aprendizagem, Dinis finalmente concluiu os estudos e já sabia falar muito bem latim.
Dinis ensinou o garoto a pescar e a pouco e pouco cada vez mais pessoas pescavam e já todos conheciam o pescador. Passado algum tempo faleceu o rei D. Afonso III sem ter tido
filhos. Nessa altura, Dinis já era muito rico e conhecido por vender peixe. Por estas razões, o povo desejou Dinis como o novo rei. Assim, o pescador passou a chamar-se D. Dinis, rei do país onde se passa o fim desta história: Portugal. Josefine Flor, 5º ano, turma A.
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Inspirado na obra de Sue Townsend: O diário de Adrian Mole aos 13 anos e ¾
Diário de Adriana Mole aos 14 anos e ¾ – Andreia Sousa, Inês Rebelo, Mariana Rodrigues e Mariana Costa, 9º D, Área de Projecto, 2010-2011
Prólogo
Todos sabem o quão difícil é a vida de uma adolescente, e, por isso, decidimos relatar alguns episódios da vida de Adriana Gonçalvez Rodrigues de Sousa Sábio Mole – personagem “levemente” inspirada em Adrian Mole, protagonista da obra de Sue Townsend, mas também na nossa experiência vida, enquanto alunas da Escola D. João II de Caldas da Rainha.
Escrevemos este texto, durante o 2º período, nas aulas de Área de Projecto, com o aconselhamento e ajuda da professora Isabel Santos, porque apreciamos as obras da autora e com o objectivo de cativar os nossos colegas para a leitura.
Dedicamos este “livro”, ou como lhe queiram chamar, a todas as adolescentes que têm uma vida tão louca como a nossa! - As Autoras
5 de Setembro de 2010
Olá, o meu nome é Adriana e faço hoje 14 anos. Recebi este diário e decidi começar a escrever, caso algum dia seja famosa e alguém queira publicar uma biografia minha.
Vivo com a minha mãe, Anabela, o meu pai Luciano e a minha irmã Francisca. Já chega de falar dos outros, afinal um diário serve para podermos falar de nós próprios, certo?
Recebi presentes medonhos, e, quando digo medonhos, são MEDONHOS MESMO!!!
Lista de presentes:
- CD do Tony Carreira (Fiz 14 anos, não 70!);
- crucifixo (Com 14 anos e já me querem enfiar num convento!);
- um telemóvel DOS BONS (presente dos meus pais)
Agora é que a Mafalda vai ver! Sim, tenho uma inimiga e chama-se Mafalda, tem a mania que é melhor do que os outros, só porque é loira, tem os olhos azuis, é dona de um iphone e veste roupa cara, que mais parece da feira!
Bem, é quase meia-noite, e amanhã tenho que me levantar cedo. Acho que vou às compras, huuuu!
6 de Setembro de 2010
Hoje o dia correu mesmo mal, acabei por não ir às compras, graças à minha mãe. Então não é que ela decidiu que tínhamos de ir visitar os meus tios, à Beira Alta?! Conclusão: não fui às compras e tive que desmarcar a dormida em casa da Margarida, a minha melhor amiga, o que me chateou bastante. Vou fazer do fim-de-semana uma descida ao Inferno para os meus pais. Desculpa diário, mas não te vou levar. Não quero correr o risco dos meus primos estragarem a minha futura biografia!
9 de Setembro de 2010
Como eu esperava, o fim-de-semana não foi nada de jeito, tirando a parte em que os meus primos decidiram atirar a minha tia para a piscina. Acho que nunca a tinha visto tão zangada, afinal era um vestido da Channel! Os miúdos vão ficar de castigo até aos 60 anos, mas tenho que admitir que foi uma ideia espectacular.
Dia 13 tenho a apresentação na escola. Espero não ter “chungalhada” na minha turma, não estou para aturar isso, mas desde que a Mafalda não esteja lá, está-se bem. Já não tenho a Margarida na turma, logo, já não tenho ajuda para colar pastilha no cabelo da Mafalda!
10 de Setembro de 2010
CRISEE! NÃO TENHO ROUPA NOVA PARA O INÍCIO DAS AULAS!E AGORA!?
Acho que vou começar a escrever uma carta de reclamação à assistência social, vou fazer queixa da minha mãe! Isto não se admite! Espera, vou jantar, oh bolas!
***
Acabei de conhecer o melhor amigo do meu pai, tudo bem, ELE É GAY! Por mim não me aquece nem me arrefece, mas o raio do cão, ou melhor o PLÓPIDAS, sim, e não estou a brincar, não se calou o jantar todo! PLÓPIDAS,MEU AMOR, valha-me Deus!
13 de Setembro de 2010
Daqui a dez minutos vou para a escola, nem acredito que o meu rico Verão já acabou!
***
Já cheguei! Afinal a minha turma não é assim tão má. Tenho que admitir que está lá um “bonzão” do caraças! Apresento-vos o Dinis: alto, loiro, de olhos verdes, musculado e com um bronze que até faz inveja! Próxima missão à 007: seduzir!
14 de Setembro de 2010
Não quero acreditar! O Dinis namora com a Mafalda… Ai, que nervos! Estou possuída… Aquele namoro vai acabar tão depressa que nem vão dar por ele! O Dinis vai ser meu, ou eu não me chamo Adriana Gonçalvez Rodrigues de Sousa Sábio Mole!
15 de Setembro de 2010
Convenci a minha mãe a ir as compras, yeah! Só podemos ir amanhã, pois a minha irmã tem um recital de música. Raios partam a cachopa!
16 de Setembro de 2010
Hoje é dia de compras e, como o centro das Caldas é sempre a mesma coisa, decidi ir ao Arena em Torres Vedras. Chega de escrever, tenho que ir. O shopping espera-me!!
17 de Setembro de 2010
Hoje foi dia de aulas. A Mafalda ficou cheia de inveja das minhas roupas novas. Confesso que estava espectacular, até o Dinis ficou babado a olhar para mim, ahah.
Tenho de arranjar uma maneira de ficar ao lado dele nas aulas.
Ah, esqueci-me de contar! Ontem no centro comercial, a minha querida irmã decidiu armar um escândalo, foi horrível. Toda a gente, ficou a olhar! A minha irmã a gritar, a minha mãe a dizer “Oh Deus, isto não me está a acontecer!” e o meu pai a fugir de vergonha, inacreditável! Somos uma família deveras encantadora. (Há coisas realmente fantásticas, não há!?)
18 de Setembro de 2010
A minha mãe pôs a Francisca de castigo devido à cena de domingo. (Escandaleira!) Claro que sobra para mim, agora passa o dia no meu quarto a mexer em tudo. Que mania!
Novidades sobre o meu Dinis : está de muletas. Acho que caiu e se magoou, todavia nada de grave… É claro que a Mafalda não o largou nem um minuto, até enjoa. Mas aquilo vai acabar, o Dinis vai ser meu!
19 de Setembro de 2010
Ainda nem consegui falar com o Dinis, a Mafalda não o larga. ARRH! QUE NERVOS! Já não a aguento, sinceramente.
Dói-me imenso a barriga, não sei o que se passa! Aiii!
***
Já sei porque é que me doía a barriga! Veio-me o período… Estou com tantas dores que nem escrever consigo!
20 de Setembro de 2010
AI NEM ACREDITO! Cresceram-me borbulhas na cara, borbulhas não, furúnculos! Tenho que ir para a escola neste estado lastimável, que horror! E o Dinis?! Ai, meu Deus, o Dinis!
***
Voltei da escola. Estive o dia inteiro a evitar o Dinis por causa das borbulhas. Isto assim não pode ser! Vou já falar com a minha mãe para comprar um creme qualquer para isto passar.
21 de Setembro de 2010
As borbulhas começaram a desaparecer. O creme que a minha mãe comprou é uma bomba!
Tenho novidades: o Dinis sentou-se ao meu lado e agora temos de fazer um trabalho. Eh-eh… Foi sem dúvida, um óptimo dia!
22 de Setembro de 2010
Amanhã o Dinis vem cá a casa! Estou a arrumar o quarto que nem uma louca, tem que estar tudo perfeito. A Mafalda ficou toda chateada, ah… ah!
Agora falta a parte mais difícil, o que é que eu vou vestir?! Acho que vou ligar à Margarida, ela sabe sempre como me ajudar!
***
A Margarida esteve cá! Experimentámos tudo e até fizemos uma passagem de modelos, foi lindo. Já sei o que vou vestir, espero que ele goste!
23 de Setembro de 2010
É HOJE! Ele chega daqui a meia hora e eu estou a dar a última “revisão” no meu quarto, acho que está tudo!
***
Foi a melhor tarde de sempre! Acho que nunca me tinha rido tanto! Trocámos os números de telemóvel e os endereços de e-mail. Aliás, até estamos a falar agora!
É desta que a Mafalda vai à vida!
***
Mas porque é que isto tinha que acontecer?! Estava tudo a correr tão bem! O Dinis acabou de me dizer que gosta mesmo da Mafalda… Estou tão triste que nem um quilo de chocolate me animava!
10 de Outubro de 2010
Desculpa, Diário, mas não tenho tido tempo para escrever… Testes, discussões com a Francisca, enfim, o mesmo de sempre.
Óptimas novidades: a Mafalda e o Dinis chatearam-se, ah… ah! Não quero ganhar muitas esperanças, mas é possível que a zanga dure algum tempo e assim posso ganhar terreno. J
Amanhã vou meter conversa com ele para ver no que dá!
11 de Outubro de 2010
O Dinis está mesmo chateado coma Mafalda e diz que tão depressa não a perdoa! Não faço a mínima ideia do que se passou, mas não quero saber… hoje vou (tentar) falar com ele a noite toda para me aproximar, vou já enviar mensagem e tudo.
12 de Outubro de 2010
O DINIS E A MAFALDA ACABARAM! LÁ-LÁ-LÁ-LÁ!
Sentámo-nos um ao lado do outro e passámos a aula toda a rir! Bye bye Mafaldinha!
13 de Outubro de 2010
Só para dizer que passam 52 minutos da sete horas da manhã e não consigo dormir. É sábado e não consigo dormir! E a culpa é do Dinis, tive um pesadelo, onde ele voltava para a Mafalda e isso não pode acontecer! Vou mas é ver se durmo.
***
Hoje estive com o Dinis. Encontrei-o, por acaso, na rua, e acabámos por lanchar juntos. Conversámos tanto, mas tanto! Fiquei a saber imensa coisa sobre ele, que eu nem fazia ideia. Depois, tive de me vir embora e ele deu–me um abraço! Oh! ***
Bem, vou tomar banho e vestir-me para ir para à festa de anos da Margarida.
14 de Outubro de 2010
Hoje, foi um dia muito aborrecido. Almoço de família, zanga com os meus pais (ontem, cheguei super tarde, à noite, e eles passaram-se), o Dinis não tem mensagens e entornei o verniz em cima da cama.
Isto vai de mal a pior, bolas!
17 de Outubro de 2010
A Margarida chateou-se comigo. Diz que agora só falo no Dinis e blá – blá – blá… Pronto, eu admito que é errado desligar-lhe o telefone na cara só porque o Dinis me está a ligar, e eu sei que também podia evitar começar a falar dele quando ela me está a tentar dizer algo importante, mas o que é que eu hei-de fazer?! O amor tem destas coisas, baralha-nos a cabeça e, às tantas, já nem sabemos o que fazemos.
19 de Outubro de 2010
Já pedi desculpa à Margarida e até a convidei para um almoço no sábado, seguido de uma tarde às compras! Ela aceitou, e ainda bem, porque eu odeio estar chateada com a Margarida. Ah, ela vem cá dormir no sábado e vai ser óptimo ter uma “girl`s night”! Vamos ver filmes de terror, experimentar roupa, falar mal das meninas parvas e bem dos meninos giros…
Vou jantar, já conto o resto das novidades.
***
Em relação ao Dinis, a única novidade que tenho é que dia 31 de Outubro (Halloween) vai haver uma festa em casa dele e ele convidou-me. Quero mesmo ir, nós temos almoçado juntos todos os dias, mas a Mafalda não desiste e vem sempre interromper. Ele manda-a embora, porém ela finge que não ouve. É por isso que tenho que ir à festa, porque ela não vai e eu vou poder estar com o Dinis o tempo que me apetecer!
21 de Outubro de 2010
O Dinis pediu-me ajuda com os preparativos para a festa, vai-me ligar hoje à noite para escolhermos as coisas e isso…
Acho que lhe vou perguntar o que sente por mim. Creio que ele já percebeu que não me é indiferente.
25 de Outubro de 2010
FALTAM 6 DIAS! (festa, festa ,festa!)
Hoje vi uma cena digna de um filme, vou explicar: quando estava a sair da escola reparei que estava uma confusão enorme na estrada e, como é óbvio, fui logo ver o que se passava, não percebi muito bem, mas acho que houve um acidente enorme… Enfim, pessoas a sangrar e a ralhar, miúdos a chorar… Demasiado deprimente. Fui logo embora, até porque tinha que ir buscar a Francisca ao ballet. A minha mãe pediu-me para ir, porque não queria que ela viesse sozinha para casa e, pronto, lá fui eu, feita babysitter, buscar a minha irmã mais nova.
Assim que cheguei, ela começou logo a reclamar e vim a ouvi-la o caminho todo. Está na idade do armário, bolas.
Viemos para casa e, de repente, para minha surpresa, recebi uma mensagem do Dinis a convidar-me para irmos ao parque da cidade dar uma volta. Bem, 10 minutos depois, estava com ele. Andámos por lá a passear, e, quando ele me ia dar o tão desejado beijo, um pássaro decidiu deixar-lhe um pequeno presente na cabeça! Fiquei fula com o pássaro, mas rimo-nos tanto que acho que até valeu a pena! O beijo fica para outro dia!
29 de Outubro de 2010
Já está tudo a postos para a festa J Mal posso esperar, meu Deus! A Margarida não vai, o Dinis não a conhece, logo, não a convidou…
Ah, já me esquecia! Hoje ia dando um par de estalos à Mafalda! Ela começou a implicar comigo e eu passei-me e disse-lhe tudo aquilo que ela já precisava de ouvir há imenso tempo!
31 de Outubro de 2010
Bem, hoje acordei cedo para ver se me consigo despachar para a festa… Aliás, acabei de me lembrar que tenho que fazer a mala para dormir lá.
Como é óbvio, não te posso levar, Diário! Mas, depois de amanhã, passo aqui para explicar tudo detalhadamente!
2 de Outubro de 2010
A festa correu lindamente! O Dinis ganhou coragem e beijou-me… Sinceramente, de pouco mais me lembro, mas eu depois falo com ele. Hoje acordei com uma mensagem dele, porém não sei como estamos… Eu gosto dele e tenho quase a certeza de que ele gosta de mim, mas enquanto não o disser, não sei o que fazer, nem como agir. Enfim…
3 de Novembro de 2010
Já falei com o Dinis… Estava muito nervosa e passei o dia todo a fugir, todavia, assim que vi a Mafalda a fazer-se a ele, deu-me um vaipe e fui imediatamente ter com ele! Falámos, mas não tive coragem de tocar no assunto “beijo”. Amanhã não me escapa.
4 de Novembro de 2010
JÁ ESTÁ! EU SABIA QUE ISTO IA ACONTECER! Eu e o Dinis já namoramos! Hoje ele convidou-me para irmos dar uma volta e, obviamente, eu aceitei. Veio buscar-me a casa de mota (que estiloso!) e fomos até São Martinho. Conversa aqui, conversa ali, e de repente:
- Adriana, queres namorar comigo?
-Hum, Dinis, não estava nada à espera…
-Mas queres?
-Sim, claro!
Foi superquerido J
Estou para ver a cara da Mafalda quando souber.
5 de Novembro de 2010
Hoje, mal cheguei à escola beijei o Dinis. A Mafalda fez um escândalo, ficou tudo a olhar para nós. O Dinis passou-se, agora nem a quer ver à frente. Melhor para mim, pronto.
De resto, foi um dia igual a todos os outros. Tenho que ir, a “stora” de Matemática marcou imensos trabalhos para amanhã, estou desgraçada.
7 de Novembro de 2010
Ontem não escrevi porque a minha mãe decidiu arrumar o meu quarto e meteu o diário no meio dos livros e, como não me apetecia estar à procura dele, não escrevi nada.
Mas também não aconteceu muita coisa. Ah, só uma: juntei-me a um grupo de teatro! Ainda não tive nenhuma aula, mal posso esperar!
8 de Novembro de 2010
Já sei quando é primeira aula de teatro, 12 de Novembro! Está quase, quase, quase!
Amanhã tenho teste de Francês, ainda não estudei nada, estou lixada!
12 de Novembro de 2010
Hoje foi a aula de teatro, gostei imenso! Acho que me vou dedicar a isto. Em relação ao teste de Francês, tirei boa nota e nos outros testes também. A minha mãe está satisfeita, menos mal!
17 de Dezembro de 2010
Tenho andado sem paciência, só me interesso por: teatro, Dinis, Margarida e estudar – só porque tem que ser, óbvio!
Estamos quase no Natal, já estou de férias e terei boas notas, ou seja, muitas prendas.
Estive com o Dinis há pouco, foi bom, como sempre. Já fizemos um mês, ofereceu-me um peluche – nem estava a acreditar quando ele mo deu (piroseira!). Ofereci-lhe uma t-shirt.
Há uma semana tivemos uma discussão, não tive a culpa, a Mafalda enerva-me cá de uma maneira! Ficou tudo esclarecido e acho que tão depressa não discutimos outra vez.
20 de Dezembro de 2010
A Mafalda anda a abusar, e parece que nem se preocupa com isso. O Dinis também já se apercebeu (também não é muito difícil) e já lhe disse para o largar.
Comprei um livro novo, chama-se A Filha da Minha Melhor Amiga, estou a gostar imenso.
Daqui a duas semanas é o espectáculo de teatro, se não escrever nos próximos dias é porque fiquei a ensaiar!
23 de Dezembro de 2010
Vim cá só dizer que está tudo bem, vou jantar fora com o Dinis.
A minha irmã tirou uma negativa, acho que vai para a explicação, pelo menos era o que os pais estavam a dizer, na sala.
AMANHÃ: NATAL!!
(Duvido que a Francisca receba o telemóvel.)
26 de Dezembro de 2010
Este Natal foi muito mais agitado do que todos os outros, recebi quase o dobro das prendas!
Ofereceram-me:
- um mp4 (da tia Luísa)
- um telemóvel (dos avós)
- um portátil (pelas boas notas)
- roupa, dinheiro, uma mala e um relógio, lindos de morrer!
A Francisca recebeu o telemóvel, mas os meus pais decidiram entregar-lho só no final do próximo período, quando souberem as notas. Ela vai mesmo para uma explicação, bem feito!
O jantar com o Dinis correu mesmo bem e ainda fomos ao cinema.
30 de Dezembro de 2010
RECEBI UM CÃO! OH MEU DEUS, nem queria acreditar quando vi aqueles olhos colados à minha cara, hoje de manhã. Ainda não decidi o nome visto que os meus (inteligentes e maravilhosos) pais se esqueceram de verificar se era menino ou menina. Amanhã já devo saber, depois transmito.
Vou almoçar a casa da avó Teresa, até logo!
P.S.- Acho que vou passar a passagem de ano com o Dinis, a Margarida e o resto do grupo! 2011, aí vamos nós!
3 de Janeiro de 2011
A passagem de ano foi demais, fartámo-nos de rir. Acho que foi a melhor de sempre.
Voltei hoje para casa. Dormimos em casa da Madalena (uma amiga do grupo), e, à chegada, deparei-me com uma gigante cena de ciúmes da minha atrasada irmã, que durante mais de uma hora repetiu: “Não é justo, ela tem tudo o que quer…”. De modo que já não a podia ouvir e dei-lhe um estalo. Acho que foi o primeiro que lhe dei. Foi fazer queixinhas. Não fiquei de castigo, nem pedi desculpa, mas a mãe pediu para (tentar) não repetir. Temos pena… Estivesse calada e estudasse.
Esta 2ª começam as aulas, bah!
Amanhã vou sair com o Dinis, fazemos 2 meses.
Ai! Tenho que me ir despachar, o teatro é daqui a 3 horas e não tenho nada pronto!
É uma cadela, chama-se Marry Poppy, já roeu um sapato do pai. Resultado: 10 minutos fechada na dispensa! Não resisti e fui lá dar-lhe um biscoito às escondidas – está a dormir na cozinha para se habituar. Vou colar aqui uma fotografia dela , tirada na casa da avó. Está mesmo amorosa!
Vou-me despachar!
6 de Janeiro de 2011
Não tenho tido tempo para escrever. Nem para escrever nem para nada!
Estive a tarde toda de Sábado a organizar cadernos, livros e isso tudo, com o Dinis para amanhã. Foi secante e fiquei com uma dor de costas tão grande que mal me consigo mexer!
A Francisca continua chateada, acho que se passou mais alguma coisa, mas nem quero saber! Agora quer uma mesada e uma mota, coitada, ela que vá esperando! A Marry está óptima, espalha papel higiénico por todo o lado.
12 de Janeiro de 2011
Bem, foi dos piores inícios de aulas de sempre!
Novidades:
- A Mafalda partiu um braço (e não estou a gozar);
- A Margarida vai viver para a Alemanha;
- A Marry só tem feito porcaria!
Ao que parece a Mafalda a andar de patins caiu e partiu o braço. Temos pena, se soubesse andar tão bem como diz…
A MARGARIDA VAI PARA A ALEMANHA, o pior é que não são férias, vai mesmo m u d a r – s e com todas as letras e caixotes, nem quero acreditar. Os pais cá não ganham quase nada e querem uma vida melhor e, como cá não há nada disso, querem-se mudar, uma desgraça!…
A minha mãe cada vez se arrepende mais de ter cá a Marry Poppy em casa, diz que é uma louca e “só sabe causar furacões cá em casa”. Eu gosto imenso dela, ando a ensinar, quer dizer, a tentar ensiná-la a ser calma, sentar-se e isso (vão começar os testes, ahhh!)
Tenho que ir dormir. Amanhã: almoço de família.
23 de Janeiro de 2011
Tem sido completamente impossível escrever, tenho-me matado para os testes e, pelo que sei, já recebi dois testes com Excelentes. Nem tenho conseguido dormir e tenho chegado sempre atrasada às aulas, pois a minha mãe já adormeceu montes de vezes, estou lixada!
A Marry Poppy já obedece e sabe que não pode estragar qualquer objecto que não seja seu. A mãe gostou imenso do que eu lhe ensinei. Pudera, com o trabalhão que tive!
Parece o Obikwelo, corre, corre e corre!
Anteontem mandou uma cabeçada na perna de uma cadeira, é tão desvairada que nem vê por onde corre!
O Dinis faz anos dia 6 de Fevereiro, e agora?
28 de Janeiro de 2011
Tirei 3 Excelentes e o resto Satisfaz Bastante, a minha mãe quase desmaiou! Já não se pode ser inteligente?!
A Francisca subiu a negativa a Matemática, graças à explicação, os meus pais deram-lhe o telemóvel, ela até tem merecido.
A Marry Poppy come quase 3 sacos de ração por semana, é um abuso!
Com o Dinis está tudo bem, vou dormir.
29 de Janeiro de 2011
RECEBI UMA MOTA! AINDA NEM ACREDITO! UMA MOTA!
Hoje, depois do pequeno-almoço, a mãe disse para ir lá fora ver uma coisa. Achei estranho, mas lá fui eu, e deparei-me com uma vespa linda de morrer!
Vou começar a tirar a licença e, depois, posso conduzi-la e ir para onde eu quiser, yes! Esta sexta vou ter a primeira aula, mal posso esperar!
Olha só como é fantástica, Diário. Deve ter dado uma trabalheira a pintar!
2 de Fevereiro de 2011
Ontem foi a primeira aula, conheci o André. O André é um rapaz simpático, engraçado, e é gay! Sim, gay e adoro isso nele! Fartei-me de rir!
Bem, vou-me despachar que hoje tenho uma girl´s night!
5 de Fevereiro de 2011
Ontem eu e o Dinis fizemos 3 meses, ele ofereceu-me um ramo de flores, foi querido!
9 de Fevereiro de 2011
Ontem tive aula. Como sempre, fartei-me de rir com o André, aquele rapaz é uma personagem…
Hoje às oito e meia vou jantar com o Dinis, por causa dos anos dele. Se calhar, ainda vamos ao cinema.
Tenho que ir despachar-me.
11 de Fevereiro de 2011
Hoje, vou comprar a prenda para o Dia dos Namorados. Ainda não sei o que vou comprar, mas estava a pensar em roupa ou assim. Tenho que ir ver!
18 de Fevereiro de 2011
Dei uma t-shirt ao Dinis, e ele adorou! Ofereceu-me um colar, é lindo, e, cá para mim, a mãe ajudou-o.
A Margarida foi para a Alemanha no sábado, foi horrível! Já estou a morrer de saudades dela, bolas.
***
Adorei a aula de teatro de hoje, ajudou a desanuviar um bocado.
29 de Fevereiro de 2011
Não tenho tido paciência para escrever. Desde que a Margarida foi embora que não tenho vontade de fazer nada. Quem é que me vai a ajudar a escolher roupa para as alturas importantes? E quem é que me vai dar conselhos?
O que vale é que hoje recebi a licença e já posso andar de mota. Passei com distinção.
Ah, eu e o grupo estamos a combinar passar o Carnaval todos juntos!
5 de Março de 2011
Ontem fui jantar com o Dinis. Ele anda superquerido comigo e cada vez gosto mais dele!
Amanhã é Carnaval, vamos passar o primeiro dia em Torres Vedras e, depois, vamos à festa do Nadadouro. Eu e a Madalena vamos mascaradas de leopardo, vai ser estupendo.
A Marry Poppy tem um brinquedo novo, o pai comprou um daqueles ossos para os dentes e ela adorou, tem dormido comigo e cada vez pesa mais, bolas!
***
Dia 15 vou ter um espectáculo de teatro, espero que haja público!
Vou dormir.
16 de Março de 2011
O Carnaval foi bestial, só fizemos porcaria e acho que nenhum dos nossos pais sonha que chegámos a casa às dez para as cinco, um pouco, digamos que, alegres, ah-ah. Mas não houve problema.
Depois do Carnaval, matei-me a estudar porque foi uma semana cheia de testes, estou mesmo cansada!
A Marry continua toda divertida com o osso, brinca com aquilo o dia inteiro.
A mãe tem andado estranha, está sempre enjoada e até já vomitou. Tenho que lhe perguntar o que se passa.
18 de Março de 2011
A MÃE ESTÁ GRÁVIDA! MEU DEUS, GRÁVIDA!
O pai quase que desmaiou, pensava que ela estava a gozar, mas, assim que viu o teste, percebeu que a mãe estava a falar a sério. Juro que pensei que ele fosse desmaiar, adorei.
A Francisca adorou a ideia, milagre!
24 de Março de 2011
Mais uma vez, não tenho conseguido escrever, tenho-me deitado cedo para ver se recupero as horas perdidas a estudar.
***
Estou de castigo! Foi assim: caí de mota e, como é óbvio, tive de contar aos meus pais. Depois de uma discussão de meia hora, decidiram que o melhor a fazer era aplicar-me um castigo. Felizmente, é um castigo “leve” e só estou proibida de sair até sexta-feira. Para compensar, domingo vou às compras com o André!
30 de Março de 2011
As compras foram óptimas, comprei uma mala e um colar lindos e várias peças de roupa, foi o André que me ajudou a escolher! Quem disse que os homens não sabem ir às compras?
A Marry já caminha à solta na rua e passeia sozinha. Finalmente, acalmou!
3 de Abril de 2011
Tenho dormido mesmo bem, apesar de hoje ter acordado numa “poça”, esqueci-me que hoje me vinha o período.
A mãe já foi à primeira ecografia, está tudo bem e mal posso esperar para saber o sexo do bebé!
Amanhã 5 meses, meu Dinis!
5 de Abril de 2011
Ontem jantei com o Dinis. Acho que foi o melhor jantar que já tivemos, rimo-nos imenso e passámos bons momentos.
Nem acredito que já estou de férias, PÁSCOAAAA!
***
Acabei de saber que, amanhã, os meus primos vêm cá almoçar, porque eu, Adriana Mole, vou a … NOVA IORQUE! Uma semaninha na melhor cidade do mundo, ah pois é! Vou começar a fazer as malas, visto que, amanhã, não tenho tempo. Nova Iorque, espera-me!
15 de Abril de 2011
Olha só, Diário…
Adorei, aquilo é um sonho! Lojas, lojas e mais lojas que só dão vontade de chegar lá e dizer: eu quero uma peça de cada! Mas, como não posso gastar o dinheiro todo do cartão de crédito dos meus pais, só comprei um telemóvel (é mesmo bom e estava muito mais barato!), comprei também uma máquina fotográfica e roupa, claro.
Ainda não contei a melhor! A Marry Poppy foi para um hotel de cães! Juro que parecia que ela estava a chorar quando tivemos que ir embora.
Bem, ainda agora cheguei e já tenho coisas para fazer! Eu explico: o André, aquele que conheci nas aulas de condução, faz anos, amanhã, e mandou-me uma mensagem, agora, a convidar-me para sair. Aproveito que vou à casa de banho e pergunto à mãe.
P.S: os meus primos partiram uma jarra cá em casa no domingo, a mãe passou-se!
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A mãe deixou! Amanhã vou à festa do André J
19 de Abril de 2011
Fui ao jantar do André e adorei, conheci imensa gente, fartámo-nos de rir e até fizemos uma guerra de comida! Sujámos aquilo tudo e quase que fomos expulsos do restaurante. A minha mãe obrigou-me a lavar a roupa, disse para pegar no Fairy que aquilo tira tudo. É uma alegria!
A parte má, é que o Dinis fez uma cena e acabámos por discutir… Há bocado, pediu-me desculpa, enfim…
4ª começam as aulas, baah!
26 de Abril de 2011
A Marry Poppy adoeceu e, ontem, até desmarcámos o almoço de família para irmos ao veterinário. Tivemos sorte, o centro estava aberto no dia feriado… A Marry vai lá ficar até 2ª, coitada!
30 de Abril de 2011
A Marry Poppy já está boa, nem cheguei a perceber o que tinha, tem de ficar em repouso (sim, pois, como se isso fosse possível…).
A melhor deste mês : a Francisca e a Mafalda conheceram-se!
Isto vai correr mesmo bem, ai vai, vai!
2 de Maio de 2011
A Madalena vem cá amanhã dormir, vamos ver filmes de terror!
A Francisca anda-se a dar bem demais com a Mafalda, estou para ver…
Estou cheia de dores por causa do período. A mãe diz que me vai levar ao centro de saúde .
Vou jantar.
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Dia 4- 6 meses, Dinis. O tempo passa tão depressa!
Ontem, mandou-me uma mensagem a pedir desculpa por tudo e a dizer que gostava imenso de mim, so sweet!
7 de Maio de 2011
A noite com a Madalena foi divertida, apesar de não termos dormido nada.
RECEBI UMA CARTA DA MARGARIDA! Ela até gosta daquilo, mas está a morrer de saudades, diz que, no Natal, vem cá!
Ontem não jantei com o Dinis, pois a irmã dele fez anos.
Dia 9 é o aniversário da Francisca e dia 10 é a festa, ainda vai trazer a Mafalda, ai ai!
Está-me a apetecer sair, vou ligar à Madalena.
17 de Maio de 2011
Fui ao Centro de Saúde, na segunda-feira, e vou começar a tomar pílula : “ agora vê lá no que te metes, Adriana!”. Nem sei o que é que deu à minha mãe para dizer isto, deve estar a perder neurónios para o bebé!
Dia 23 já sabemos o sexo, lá-lá-lá-lá!
Na festa da Francisca, a mãe não deixou ninguém dormir cá e, como, à tarde, fui dar uma volta, não tive de aturar as amiguinhas dela!
NOVIDADE BOMBÁSTICA : vou ter uma piscina! O bebé anda a fazer bem ao meu pai, ó se não anda! Por mim, até podiam ter 200 filhos, se fosse sempre assim… Daqui a um mês já deve estar pronta!
A Marry Poppy já está boa, e ainda bem.
Quanto a mim, vou estudar, que, para a semana, vou ter testes!
24 de Maio de 2011
É um menino! Oh meu Deus, um menino! Já começámos a fazer a lista de nomes:
- Tiago;
-Afonso;
-Sebastião;
-Rodrigo;
-Salvador;
-Fábio.
Assim que estivermos com os avós decidimos!
Estou quase de férias e ainda nem comecei os apontamentos para os exames nacionais.
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A Madalena contou-me que gosta do André, não é aquele da minha aula de condução, é um dos nossos amigos. Também, já não era sem tempo! Felicidades, amigos!
31 de Maio de 2011
Está decidido, vai-se chamar Rodrigo e, no que depender de mim, vai ser um “engatatão” cheio de charme! Quem sai aos seus não degenera!
Resumos para os exames quase acabados!
4 de Junho de 2011
Hoje, aproveitámos as nossas duas horas de almoço e, em vez de jantar, eu e o Dinis fomos almoçar à pizzaria, para ser diferente. Sete meses quem diria!
Dia 6 começam as férias, yes!
Nesta primeira, semana estudo e, depois, praia babe! O André convidou–me para ir ver o concerto da Lady Gaga, mas como não gosto dela combinei ir a outro concerto.
5 de Junho de 2011
Hoje tive uma conversa com a mãe sobre o curso que vou escolher. Eu adorava seguir teatro, mas a mãe diz que devia tirar outro curso e, só depois, seguir teatro. Acho que é isso que vou fazer. Vou seguir Ciências e Tecnologias para poder tirar Medicina e vou conciliando com as aulas de teatro.
Amanhã começam as férias e dia 11 e 12 são os exames! Ando a tentar não stressar mas é uma missão impossível!
6 de Junho de 2011
FÉRIAS! Sol, praia, piscina, noites! Há algo melhor?!
13 de Junho de 2011
Já fiz os dois exames e correram super bem! Mas não vou falar mais disso, É VERÃO!
Hoje foi o primeiro dia de praia com o grupo e foi altamente! Já combinámos mais dias de praia e, amanhã, vamos até ao Baleal de autocarro. Só tenho pena que a Margarida não esteja cá, bolas!
18 de Juho de 2011
Ora bem, a piscina já está pronta há dois dias! Por acaso, está bem fixe e é óptimo poder dar um mergulho, sempre que me apetecer!
Estou a pensar convidar o grupo para vir cá mas ainda tenho que falar com o pai.
Ah, é verdade já me inscrevi na nova escola! É melhor que a antiga, tem mais opções e até é um pouco mais perto de casa.
Só há um problema (grave, muito grave!): a Francisca está no 8º ano e, apesar de eu estar no 10º, andamos na mesma escola e agora os pais querem que a leve à escola, SOCORRO!
30 de Junho de 2011
Nem sei por onde começar! Não escrevo há quase duas semanas e agora tenho imensas coisas para contar. Vou começar:
Primeiro: consegui convencer os meus pais a deixar o grupo vir cá dormir e eles estiveram cá um fim-de-semana inteiro! Como é obvio, a mãe exigiu que dormissem raparigas de um lado e rapazes do outro, mas, tirando isso, adorei! Muita praia, piscina, saídas à noite, lindo, lindo, lindo!
Segundo: no dia 24, os meus pais decidiram inaugurar a piscina e convidaram a família inteira para uma festa. Estava a ser uma seca, mas, assim que entrámos todos (sim, todos, incluindo tios, avós, e até a Marry!), foi bastante giro. Foi um dia de família e pronto.
Terceiro: esta é a melhor novidade, sem dúvida! Eu e o grupo fomos acampar ao Baleal e só voltámos hoje! Estivemos lá cinco dias e foram os melhores dias da minha vida!
Todos os dias íamos à praia e até encontrámos lá a Mafalda. Como já é normal, assim que ela viu o Dinis foi logo ter com ele toda querida e fofinha! Que enjoo! Que falsa! E que pindérica, sim, porque aquele biquíni era um crime da moda!
Mas o Dinis com todo o seu charme e calma, disse que estava ali comigo e com o grupo e que era melhor ir embora.
Cada vez gosto mais dele, ele é tão querido meu Deus!
P.S: que lamechas! É melhor contrariar este tipo de lamechices e ir já ver um filme de acção!
1 de Julho de 2011
Para variar, hoje, fiquei por casa. O Dinis foi passar uma semana ao Brasil e só volta na próxima terça-feira.
Fiquei um bocado deprimida, porque dia 4 fazemos 8 meses e não vou poder estar com ele.
C’est la vie… Fiquei o dia em frente à televisão, nem fui à piscina.
E, por mais estranho que pareça, eu e a Francisca estivemos a jogar às cartas em paz, sem discutir!
Maravilha, ah-ah.J
4 de Julho de 2011
8 MESES! Como o Dinis não está cá para festejar comigo, decidi comprar uma prenda e oferecê-la a mim mesma.
Depois, liguei à Madalena, peguei na mota, fui buscá-la e seguimos para a praia, só nós. E foi um belo dia.
8 de Julho de 2011
O Dinis voltou hoje. Já estive com ele e já matei as saudades todas, todas, todas! Ele trouxe-me uma prenda lá do Brasil. Por acaso, gostei imenso, é uma pulseira (tem um ar exótico).
Ontem encontrei o meu professor de teatro, e ele disse-me que as aulas só vão começar em Setembro. Fiquei um bocado triste, uma vez que tenho saudades daquilo, mas, por outro lado, é Verão e estar dentro de uma sala no Verão não é a minha ideia de divertimento!
***
Acabei de descobrir que este Verão não vamos viajar! É assim todos os verões, eu e a Francisca escolhemos uma cidade (qualquer cidade do mundo) e os pais levam-nos lá durante uma semana, mas, como a mãe está grávida de 4 meses, é perigoso andar de avião, por isso, bye bye Cuba (eu e a minha irmã já tínhamos decidido o destino!).
14 de Julho de 2011
Tenho ido à praia com o grupo. Nem sabes o que aconteceu! A Madalena foi picada por um peixe-aranha, sortuda! Sim, sortuda, o nadador-salvador que a ajudou era um autêntico borracho! Como é óbvio, babei-me toda a olhar para ele! O Dinis reparou e amuou a tarde toda, que criancice.
FUI ÀS COMPRAS! Mudei completamente o meu estilo, estou mesmo vestida para arrasar. E comprei um biquíni que vou estrear amanhã (praia com a família).
16 de Julho de 2011
Peço desculpa, mas ontem não consegui escrever. O dia foi espectacular!
Andei de mota de água com a Francisca e acho que nunca nos tínhamos rido tanto, pelo menos juntas! Depois o pai ofereceu-nos uma volta na banana e lá fomos nós, nós e o biquíni da mãe! Devido às ondas acabou por fazer topless e nem deu por isso, lindo!
O pai, todo preocupado foi logo buscar uma toalha e levou a mãe a casa para ela vestir outro biquíni, perderam o melhor mergulho do ano!
Já volto, a mãe está a chamar.
***
Vou passar uma semana à Beira Alta, na casa dos tios! Vamos as três: eu, a Francisca e a mota. Pedi aos pais para me deixarem fazer a viagem de mota, mas acharam absurdamente perigoso. Por isso, tenho de me contentar com uma voltinhas pela aldeia e arredores… Mas ainda não desisti, tenho esperança de os convencer, durante a viagem, a deixar-me fazer os últimos quilómetros na mota. Não custa tentar.
26 de Julho de 2011
Resumo desta última semana: foi de arrasar! A viagem para a Beira Alta correu super bem, especialmente a última etapa, fui de mota. Que autonomia!
A semana com os tios foi fixe,mas vou contar o que realmente me interessa: conheci um rapaz giríssimo! Chama-se Fábio e, por incrível que pareça, mora nas Caldas e eu nunca me cruzei com ele! É moreno, alto, super bem desenvolvido, tem os olhos azuis e tem muito sentido de humor.
Eu sei que namoro com o Dinis, mas este rapaz é uma tentação, além disso pediu-me o número e já combinámos ir comer um gelado ao Puzzle (o Dinis nem pode sonhar!).
A vida corre-me bem.
29 de Julho de 2011
Ultimamente, tenho falado bastante com o Fábio e, hoje, fomos comer o tão desejado gelado. Acho-o um rapaz como deve de ser, que me faz rir que nem uma louca.
O Dinis é que não achou piada nenhuma, mas também não tenho de estar sempre com ele. Confesso que já gostei mais dele, estou seriamente em pensar em falar com ele.
1 de Agosto de 2011
As férias estão a acabar, já estamos em Agosto. Tenho falado imenso com o Fábio, ele é excelente!
Vou ter agora com o Dinis, preciso urgentemente de falar com ele.
Até logo!
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Fui falar com o Dinis, a conversa não correu muito bem, visto que eu tive que admitir que já não sentia o mesmo por ele. Ou seja, acabámos, mas continuamos amigos, o que é óptimo!
5 de Agosto de 2011
Eu e o Fábio temos saído, e hoje não foi excepção, fui à praia com ele, foi fixe.
A Madalena convidou-me a mim e a um grupo para ir acampar a Albufeira com os pais dela, espero que os pais me deixem ir.
7 de Agosto de 2011
O FÁBIO BEIJOU-ME! (pânico!).
Fiquei toda atrapalhada, não sabia o que fazer, não estava nada à espera, porém tenho que confessar que até gostei.
No sábado, vamos para Albufeira, os meus pais deixaram-me ir. Vou fazer as malas (vou levar imensa roupa: tops, vestidos, saias, calças, camisas, calções, etc.)
Vão ser os pais da Madalena a levar-nos a todos na carrinha dela, um pão-de-forma, é linda, olha aí :
17 de Agosto de 2011
Foi demais! Acampámos mesmo perto da praia, acordávamos mesmo cedo para ir para o mar e ficávamos por lá o dia todo. À noite, íamos para os bares até tarde, como é óbvio.
Na quarta-feira foi lá o John Mayer actuar, ao vivo, nem queria acreditar!
Estavam lá montes de rapazes lindos!
Nessa semana, o André mandou-me uma mensagem e combinámos ir dar uma volta na semana seguinte, ficou para segunda (o André aquele que conheci, enquanto estava a tirar a carta de mota).
O outro André beijou a Madalena, à frente de toda a gente, lá no acampamento! Estive a falar com ela e ela está a começar a gostar dele. Na minha opinião, ele também começa a gostar dela.
18 de Agosto de 2011
Fui sair com o André (aquele das aulas de condução). Já estava com saudades dele, já há imenso tempo que não estava com ele. Continua superdivertido e bastante cómico. Contei-lhe o que se passou comigo e com o Fábio e ele disse-me que devia deixar as coisas andarem por si mesmas, acho que vou seguir o conselho dele.
20 de Agosto de 2011
Hoje estive a falar com o Fábio sobre o beijo que aconteceu, há duas semanas. Ele disse que gostava de mim e eu nem sequer sabia o que dizer, mas fui sincera com ele e admiti que não estava pronta para nenhuma relação. Continuamos amigos.
Sexta-feira, vou ao parque aquático, eu e o grupo. Abriu agora o Slide & Splash na Nazaré e nós vamos estrear aquilo. Vai ser demais!
26 de Agosto de 2011
Bem, o parque aquático foi magnífico, como já estava a imaginar. É enorme e adorámos, foi um dia muito bem passado. Adorei o tubo escuro!
Tenho saído com o Fábio, cada vez nos damos melhor.
Ontem fui sair com a Madalena e contei-lhe tudo o que se tem passado ultimamente. Adorei estar e falar com ela, ela é fantástica! Aproveitámos e fomos às compras. Comprei 1 top, 3 camisas, 1 par calções e 2 malas. Eu tentei não comprar tanta coisa, mas parecia que a roupa estava a piscar–me o olho, não resisti! Quando a minha mãe souber, parte-me em duas!
30 de Agosto de 2011
Passei a semana na piscina, e até vieram cá algumas amigas, foi giro, mas a Francisca armou um escândalo porque também queria que as amiguinhas dela viessem. Enfim….
Convidei o Fábio para vir cá passar a tarde!
Tenho que ir, ele acabou de chegar!
***
ADOREI A TARDE! Divertimo-nos imenso, e hoje apercebi-me que estou a começar a gostar dele, aii!
Ele gosta de mim, mas enquanto não tiver a certeza de que gosto mesmo dele, é melhor não dizer nada.
Bela embrulhada em que te meteste, Adriana!
5 de Setembro de 2011
É hoje! 15 ANOOOOS!
Nem acredito… este ano aconteceram tantas coisas!
A Margarida foi viver para a Alemanha, a mãe engravidou, tive o meu primeiro namorado à séria, mas não deu e, ao fim de 8 meses, acabámos. Agora, namoro com o Fábio e gosto imenso dele.
Começámos na Terça passada, dia 3 de Setembro e, sinceramente, espero que resulte, gosto mesmo dele a sério! Eu e o grupo tivemos um grande Verão! Os meus pais fizeram uma piscina e fizemos grandes festas. Fui a Nova Iorque e foi demais! Entrei no teatro, recebi uma mota e conheci grandes e bons amigos, fizemos grandes acampamentos e viagens. Acho mesmo que foi um grande ano e espero que o próximo seja igualmente bom. Terminei este diário, talvez em breve, haja notícias sobre mim! Adriana G. R. S. S. Mole

Eu escolhi este quadro porque gosto de apreciar a pintura em tons de preto e branco.
Eu acho que esta pintura não foi feita a lápis, mas sim utilizando a aguarela.
Este quadro onde podemos ver um vaso e um pincel que até pode ser uma pequena pá ou colher, para mim, representa a água e as flores.
Uma característica interessante é o facto de se ter utilizado o cartão como moldura, porque assim, reutiliza-se um material reciclável.
Eu gosto muito da biblioteca da minha escola, porque é um local muito agradável para aprender.
Madalena Palma, 6ºH (Março 2011)
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Era uma vez um menino que foi correr para a praia da concha e encontrou uma gaivota que era cantora e pintora.
Enquanto a gaivota cantava, ia também pintando uma tela em aguarela onde os tons amarelos predominavam devido às estrelas-do-mar que reflectiam a cor do sol, da areia, do mar e do céu.
Sempre que pintava acrescentava algo diferente. Passados uns dias, o menino e a gaivota voltaram a encontrar-se naquela praia. Mas desta vez, a gaivota trazia no bico uma pérola roxa muito bonita e diferente que lhe servia de inspiração para as suas obras.
Certo dia, quando a gaivota conversava animadamente com o seu amigo, deixou cair a pérola roxa muito bonita e diferente que foi apanhada por uma onda e levada para o fundo do mar. Assim, a gaivota deixou de cantar e pintar.
O menino ao vê-la tão triste resolveu ajudá-la. Equipou-se com o material de mergulho e partiu em busca da pérola no fundo do mar.
No fundo do mar tudo parecia harmonioso. O mar estava calmo e transparente, havia algas de várias cores e feitios, estrelas-do-mar e corais que repousavam nas rochas, peixes de cores vivas fazendo lembrar um arco-íris aquático, navios naufragados com tesouros esquecidos onde bailavam pequenas anémonas e cavalos-marinhos.
O menino nadou, nadou à procura da pérola roxa muito bonita e diferente, e sem sucesso regressou à praia da concha.
Ao encontrar-se novamente com a gaivota, mostrou o seu desalento por não ter conseguido ajudá-la.
Contudo, a gaivota ao olhar para o menino ficou radiante, estupefacta, pois através dos olhos dele, ela conseguia visualizar a viagem do menino e a beleza do fundo do mar. Desta forma e porque o menino passou a ser a sua inspiração para o canto e para a pintura, a gaivota voltou a dar vida ao seu canto e cor às suas telas.
Turma – 6ºJ | Professora: Helena Rego
Nota: Esta actividade (jogo do alinhavo e aperfeiçoamento do texto colectivamente) surgiu aquando da comemoração da centésima lição em Língua Portuguesa. (22 /02/2011)
UMA ÁRVORE AMIGA
De muito pequenina te conheço.
Lembras-te de me veres sempre corada?
Tu apreciavas a minha cor
Fiquei eu sempre sendo,
De assim ser.
De muito cedo te conheço.
Lembras-te de eu cuidar de ti?
Eu te acarinhava todos os dias
E tu foste sempre crescendo.
De muito pequenina te conheço.
E, se algum dia me esquecer de ti,
É de mim que me esqueço.
Diogo Silva, Júlia Santos, Raquel Domingos – 5ºF (21/03/2011)
(Adaptado de No coração do trevo, MENÉRES, Maria Alberta)
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POEMAS DE PALAVRA ESCONDIDA
A magia do momento,
Logo que nos aproximamos
Envoltas em sorrisos e
Gritos de entusiasmo,
Risos de tudo e nada,
Invade-nos
Anulando qualquer tristeza.
Maria Matilde de Sousa Feliciano nº. 14, 7º. D
Amanheceu,
A Luz invadiu a Terra
E as Estrelas partiram.
No céu, o Grande sol apareceu.
Toda a natureza Renasceu.
Os animais sentiram-se Irmãos
E toda a Terra se juntou na Amizade.
João Cenicante, nº. 11, 7º. D
Amigos verdadeiros, são para sempre, não interessa a distância,
Mas sim o lugar que ocupam no nosso coração…
Impossíveis de esquecer… nada mais importa do que a simples palavra amizade!
Zangas são para desprezar, pois haverá sempre espaço para o perdão,
Às vezes tão iguais, outras tão diferentes…
Dentro dos corações existirá uma luz cintilante,
Enquanto existirem amigos verdadeiros.
Maria Margarida Gomes Graça, nº. 13, 7º.D
Senti por ti amor
Agora Apenas saudade
Eras tu o Único capaz de
Compreender Do que eu falava.
Tu não estares Aqui presente
Põe-me, na verdade, Doente
Por ti sinto tudo isto, Eterno sentimento,
Que nunca me abandona, Sabendo que és tu quem amo…
Sofia Bernardino, nº. 25, 7º.D
Fico feliz por
Estares aqui e
Libertares esse amor que tens por mim,
Imaginares a tua vida
Comigo e
Imaginares como será
Daqui em diante.
Agora imagino eu,
Depois de tudo o que passámos e
Espero que dure para sempre a minha felicidade.
Rafaela de Almeida Moio, n.º 21, 7.º D
Feliz é aquele que sabe viver,
E que se torna autor da sua vida.
Logo ser feliz é estar bem,
Imergir na alegria!
Com força para receber más notícias,
Impenetrável na tristeza e
Discórdia.
Assim, aparece um oásis no
Deserto de tristeza
Em que se vive nestes dias.
Pedro Fonseca n.º 20, 7.º D
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TEATRO POR EXCELÊNCIA
Na manhã do passado dia 1 de Fevereiro, as turmas do 9º ano da nossa escola deslocaram-se a pé, aos Pimpões, a fim de assistir à peça de teatro Auto da Barca do Inferno de Gil Vicente, representada pelos actores da companhia de teatro Casa dos Afectos.
Os professores de Língua Portuguesa do nosso ano foram os que organizaram esta visita, visto que tinham trabalhado com os seus alunos nas aulas, o Auto.
Chegámos ao local e esperámos algum tempo até que nos chamaram e sentámo-nos nos lugares destinados por turmas. Durante a representação da mesma, pudemos assistir a um grande dinamismo por parte dos actores em palco, quer pela sua expressividade, quer pela originalidade (mudança de indumentária), acompanhadas pela criatividade da luminotecnia e sonoplastia.
No fim, aproveitámos para tirar fotografias e pedir autógrafos pois quisemos ficar com uma recordação do seu talento.
Tirámos bastante partido desta visita, uma vez que constatámos a presença dos vários tipos de cómico, os quais Gil Vicente utilizou para fazer rir, mas ao mesmo tempo para criticar e corrigir os costumes da sociedade:”Ridendo castigat mores”.
Assinado, “as repórteres de serviço”: Sara Coelho nº 25 9º A | Sofia Simão nº 26 9º A | Sónia Coelho nº 28 9º A
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EMBARCAÇÃO NO AUTO
No passado dia um de Fevereiro, os alunos do 9º ano da Escola E,B 2,3 D. João II tiveram o privilégio de assistir a uma representação teatral do Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente. Esta peça foi encenada pelo grupo amador a “Casa dos Afectos” na Associação Desportiva dos Pimpões.
O Auto de Gil Vicente fora analisado nas aulas de Língua Portuguesa, o que suscitou, desde logo, grande interesse na sua visualização em palco. Assim, os actores esmeraram-se para superar as expectativas dos alunos. Conseguiram captar a atenção dos seus espectadores, não só pela forma como personalizaram a peça, mas também pela sua interacção com o público. Curioso foi o facto de este grupo amador incorporar o trabalho de bastidores no cenário da representação. A indumentária encontrava-se à vista do público o que permitia aos actores “vestirem” a personagem durante a própria dramatização.

A comédia, de cheirinho medieval, fez rir os alunos e docentes até os mais sérios da escola! O final da peça foi surpreendente, tendo maravilhado toda a comunidade escolar pela sua originalidade. O público aplaudiu o talento dos artistas e agradeceu os autógrafos concedidos.
Verdadeiramente inesperada foi a possibilidade do público poder tirar fotografias com os heróis do palco. Cada momento foi único e os alunos anseiam outra oportunidade para conviver com o mundo do espectáculo.
Os repórteres de serviço: Ana Manana Nunes n.º2, 9.ºC | Daniel Ramos n.º8, 9.ºC | Marta Taveira n.º19, 9.ºC
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O COELHO QUE MUDOU A HISTÓRIA DE UM MENINO
Era uma vez um caçador que já estava a ficar velho. Ele tinha um filho com dezoito anos e queria que ele fosse também caçador, mas o que o seu filho queria mesmo, era ser veterinário.
Num dia de Outono, o caçador foi caçar para a floresta e levou o seu filho pois, costumava dizer que era tradição “filho de caçador será caçador!”.
O caçador obrigou o filho a ir à caça para ver se ele começava a gostar.
Já no meio da floresta estava um coelho ferido, o pai apontou a caçadeira ao coelho mas, nesse momento, o filho pôs-se à frente para impedir o pai de matar o coelho.
O filho tinha muitos conhecimentos que tinha aprendido nos livros, então, rasgou um bocado da sua camisola e pôs à volta da perna do coelho, levou-o para casa e cuidou dele.
O caçador observou o filho e ficou pasmado, mas ao mesmo tempo contente ao ver o filho, a sorrir, a cuidar do coelho.
O seu pai conseguiu juntar dinheiro para o filho entrar na universidade. O filho, no final do ano, tirou muito boas notas e conseguiu o curso de veterinário.
Todos os fins-de-semana ele ia à floresta ver se havia animais feridos.
Os dois ficaram felizes! E o caçador aprendeu que o mais importante é fazer o que gostamos e não, mudar os gostos dos outros. Madalena Morgado 6º J
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Concurso Literário D. João II | Ano Lectivo 09/10
# 7º Ano
1º prémio | O Menino no Espelho
Era Inverno e nevava lá fora. O dia era pálido, era uma pálida e normal manhã de Inverno.
Nessa manhã, todas as crianças estavam na rua a brincar: faziam lutas de neve e criavam bonecos com a mesma. Todos brincavam menos o Tiago.
Tiago Mello e Castro era uma criança que tinha bastante orgulho no seu nome, por ser filho de Luís Castro e Margarida Mello, que outrora haviam sido donos da famosa fábrica de sapatos, reconhecida em toda a região. Infelizmente, após a fábrica ter sido encerrada devido à falência, os pais de Tiago foram levados por Deus.
Tiago estava na cave da sua casa, a sua nova velha casa. Vivia sozinho, pois nada lhe fora deixado pelos pais. Não tinha família, nem ninguém que se preocupasse com ele. Apenas lhe havia sido dado um mero espelho, um grande espelho que de nada lhe servia. Apenas podia olhar para ele e ver o seu corpo mudar de dia para dia. Mas mudar para quê? Se não tinha ninguém para reparar o quanto ele crescia! Se nem ele nem ninguém ligava a tal coisa!
A manhã ia dando lugar à tarde e tudo continuava igual: uma cave fria e escura, iluminada apenas pela vela que estava em cima da mesa-de- cabeceira, que, por sua vez, era um alguidar virado para baixo.
Tiago dormia na sua cama improvisada, quando ouviu uma voz a chamá- lo:
- Tiago!
- Quem está aí? – perguntou Tiago, aterrorizado.
- Sou eu, o espelho! Vem até mim! – ordenou.
Tiago levantou-se e caminhou até ao espelho.
- Que queres de mim? – interrogou.
- Quero fazer-te feliz. Já estou farto de te ver para aí feito vagabundo…Toca-me!
Assim que Tiago o fez, viu reflectidos os pais, que lhe sorriam. Nunca se sentira tão feliz! Havia já quatro anos que a sua felicidade se tinha ido embora. Tinha o coração quente. Quis tocar-lhes, mas a mão trespassou o espelho. Tirou-a rapidamente, assustado, e pôs lá a outra. Com esta aconteceu o mesmo. Olhou para os pais reflectidos, que o chamavam para eles. Tiago sentiu medo, mas, ao mesmo tempo, confiança, esperança e amor.
Pôs primeiro o pé dentro do espelho e sentiu calor, depois entrou. Lá dentro estavam os pais: não eram um reflexo, mas de carne e osso! Abraçaram-se e choraram, sentindo carinho e amor.
O menino nunca mais foi visto, mas também que importava? Não tinha ninguém que se preocupasse com ele, ninguém que soubesse que Tiago Mello e Castro existia!
Estavam juntos, os três, de novo! Fizeram uma fábrica, uma fábrica de amor e carinho: a Fábrica Mello e Castro!
A Tiago, há quem também chame Cupido…o deus do Amor, pois não gostava da solidão e da tristeza. | Madalena Marques, Nº 14, 7.ºB |
2º prémio | O Menino no Espelho
Era uma vez um menino chamado Rodrigo que não gostava de se ver ao espelho, achava que era feio, horrível, um monstro.
Certo dia, ele decidiu perguntar à mãe porque é que ele era tão feio e por que motivo os colegas de escola e turma gozavam com ele. A mãe nada disse, pois não tinha uma resposta que lhe pudesse dar, sabendo que ele era demasiado pequeno para entender. A razão pela qual ele era assim era simples: quando era criança, com apenas três anos, caíra-lhe em cima água quente, a ferver de uma caneca, o que fez com que ele ficasse com metade da cara deformada, mas como iria ela explicar isto sem ele desatar a chorar? Essa era a questão.
Quando o menino fez dez anos, a mãe achou que lhe devia dizer o que tinha acontecido. O Rodrigo, ao ouvir tudo aquilo, achou que a mãe estava a brincar. Como seria possível a água fazer-lhe aquilo? E porquê a ele?
Rodrigo, depois de ouvir a explicação da mãe, foi para o quarto e pensou, pensou e chegou à conclusão que não fazia mal ele estar assim e que aqueles que gozavam com ele eram pessoas mais feias do que ele, porque não tinham coração. Dirigiu-se para a casa de banho e olhou-se ao espelho. De repente, apareceu uma mancha no espelho e ele não sabia o que era, então, pegou num pano e decidiu tentar limpar. A mancha começou a crescer e a crescer e levou-o.
Quando deu por si, estava num relvado todo verde com uma casinha ao fundo que parecia uma casa de sonhos. Estaria ele a sonhar? Não, não estava, mas o que ele não percebia era onde estava e como tinha aparecido ali. Caminhou até à casa, que era vermelha e castanha, e bateu à porta. Ouviu uns passos a virem de lá de dentro e alguém abriu a porta. Ele não viu ninguém mas ouviu uma voz dizer:
-Estou aqui, aqui em baixo – disse uma vozinha aguda.
Mas ele não percebia quem estava a falar. Então uma voz falou novamente:
-Olha para baixo! – voltou a dizer aquela vozinha aguda.
O Rodrigo olhou para baixo e viu um anão minúsculo a olhar para ele.
-Bom dia! Sabe onde estou? – perguntou ele nervoso.
-Estás no mundo das pessoas enganadas – respondeu o anãozinho.
-Mas porquê? – indagou o Rodrigo.
-Pensavas que eras feio mas não és. O que interessa não é o que está de fora, é o que está lá dentro. O teu coração é puro e tens sentimentos o que muitas pessoas não têm – explicou o anão.
Rodrigo não falou, apenas estava a tentar memorizar aquilo que o anão estava a dizer.
-Vá, agora que já percebeste que estavas enganado, volta para tua casa – disse o anão e, imediatamente, estendeu as mãos e abriu-se um portal.
De seguida o Rodrigo agradeceu e foi-se embora.
No dia seguinte, quando acordou lembrou-se do anão e do que este lhe tinha dito. A partir desse dia, o Rodrigo descobriu que era o menino mais bonito que existia no mundo, porque tinha sentimentos e não era mau para as outras pessoas. Viu-se ao espelho e o que ele encontrou foi um rapaz bonito e não o monstro que o tinha assombrado durante tanto tempo! | Susana Maria Tavares Sobreiro, 7ºD, nº22 |
# 8º Ano
1º Prémio | A Cidade dos Deuses Selvagens
Era Verão. Paulo, Simão, António e Susana encontravam-se a bordo de um avião “Boeing” – 737 da TAP, tendo como destino à cidade de Lima, no Peru, onde esperavam desfrutar de uma formidável semana de férias.
Deve-se dizer que tudo correu mal, logo desde o princípio. Chovia torrencialmente quando aterraram. Chovia ainda mais quando chegaram ao hotel. Chovia, chovia, chovia. Após três dias de chuva, acabaram por deixar de pensar em praia e Sol e decidiram alugar um carro, com o intuito de visitar as famosas ruínas Incas, abundantes naquela zona.
Não tiveram de preencher grande papelada para poder viajar num velho “BMW” bastante maltratado. Mas andava e, no fim de contas, era isso que interessava. Susana recolheu uns quantos panfletos que se encontravam dispostos sobre uma pequena mesa de vidro, situada junto da recepção do hotel. Ao lê-los, adquiriu várias informações preciosas que iriam ser bastante úteis no futuro.
Assim partiram, entregues à estrada que definiria o seu destino. Não foi necessário muito tempo para encontrarem uma apelativa tabuleta que lhes indicava para virar à direita.
Infelizmente, o texto estava tapado pelas folhas de uma pequena palmeira, deixando visível apenas uma grande seta azul que apontava para a direita. Seguiram por ali, esperando que fossem parar a um género de parque temático ou assim. As cores vivas da tabuleta haviam–lhes dado essa ideia.
Agora, seguiam por uma estreita estrada de terra batida, que parecia não ser usada havia muito tempo.
Então, de ambos os lados, deixaram de ver vegetação. Apenas viam imponentes edifícios de pedra, muito desgastados e velhos. Várias plantas trepadeiras subiam pelas paredes ásperas de um grande templo, situado bem no centro daquele local.
Abandonaram o veículo e permaneceram vários minutos ali parados, a admirar a arquitectura Inca.
- Parece uma cidade – afirmou Simão. – Ou talvez uma grande aldeia mas tenho a certeza de que tem tamanho suficiente para ser considerada cidade.
Tinha razão. A “aldeia” era espantosamente grande, embora não parecesse, parcialmente escondida pela vegetação densa, habitual naquele país.
Exploraram o local, tiraram umas fotografias e decidiram voltar, porque a permanente chuva começava a intensificar-se.
Mas foi então que, para desgraça de todos, o motor não pegou. Tentaram várias vezes, porém o carro não pegava. O motor estava morto.
Procuraram abandonar a cidade e pedir auxílio a alguém mas, para surpresa de todos, as pedras que outrora teriam formado uma muralha à volta da cidade amontoaram-se no meio da estrada, impedindo a sua passagem. Não existia outro caminho, a menos que se quisessem aventurar pela floresta, o que não parecia boa ideia. O vento intensificava-se e empurrava-os para trás, fazendo-os rodopiar no ar e todos os edifícios em volta caíram sobre si.
Foi nesse momento que Simão acordou. Deitado numa daquelas camas de praia, em frente à piscina do hotel, acordou do seu sonho, num sobressalto. O Sol, no topo do céu, parecia sorrir-lhe. Bernardo Cruz, nº 3, 8º B
2º Prémio | A Cidade dos Deuses Selvagens
Ainda hoje não acredito. Talvez seja verdade, talvez não, mas o que é certo é que foi maravilhoso. Interrogam-se do que estou a falar, certo? Bem, então vou contar…
Tudo aconteceu num dia de férias. Não tinha nada para fazer, então, decidi ir dar um passeio pela floresta. Sim, há uma floresta ao pé da minha casa, tem grandes pinheiros, e, se decidirmos ir o mais longe possível, iremos ver um lago de água azul e cristalina que, quando neva e faz frio, congela.
Quando era pequena, costumava ir até lá e ficava horas infinitas contemplando a água… Mas, continuando, entrei na floresta, olhei em redor e tudo me pareceu igual. As mesmas árvores, os mesmos animais… Andei, andei, cheguei ao lago e decidi por ali ficar.
Sentei-me no chão, sentindo a erva macia, ainda molhada pelo orvalho da manhã. Olhei para o lago, o tempo suficiente para me perder naquelas águas. Algo me chamava, algo queria que eu descobrisse segredos escondidos na floresta. Estaria a ficar louca? Seria, talvez, só a minha imaginação? Jurei que tinha ouvido gritar o meu nome. Primeiro um grito longo e agudo, que me fez estremecer, depois um sussurro de paz… Segui a voz que me chamava, sempre levando no pensamento «mantém a calma, talvez seja só o vento», porém não era.
Quanto mais entrava na floresta, mais medo tinha. Arrependi-me de ter seguido a voz, pois naquele momento encontrava-me perdida. Estava já escuro, e decidi encostar-me a uma árvore. Penso que adormeci, apesar de tudo me parecer bem real.
De repente, uma sombra. Um barulho. Acordei. Olhei, e, à minha frente, estava uma rapariga. Tinha um longo vestido de renda azul, o cabelo dela, tão comprido, tão loiro… Assustei-me.
- Não tenhas medo. Sou a deusa da noite, e estou aqui para te proteger – disse ela.
Não aguentei, não consegui conter uma gargalhada! Tudo era absurdo! Não existem deuses! Disse-lhes isso mesmo. Ao que ela respondeu:
-Então o que pensas disto?
Acabou de dizer a frase, e, por detrás das árvores e dos arbustos, apareceram mais pessoas… Deuses, aparentemente.
Fiquei sem fala. Queria dizer algo, mas as palavras pareciam presas na minha garganta.
-Somos deuses selvagens. Há muito que vivemos nesta floresta. Só te queremos ajudar a voltar a casa… ou …
- Ou o quê?- perguntei.
- Se quiseres, junta-te a nós. Bebe isto. É ambrósia, ficarás como nós.
Eu não queria beber! Eu não queria ser deusa, eu não queria viver na floresta! Eu só queria fugir!
Percebendo a minha aflição, ela disse:
-Só bebes, se quiseres. Terás vida eterna e poderás voar, tal como nós. Mas nunca poderás voltar a casa.
Nesse momento percebi. Vida eterna e poder voar, era algo que há muito desejava. Mas nada me iria fazer ficar.
- Não quero! – gritei e fugi dali, a correr .
Ouvia-os chamarem-me, juro que os vi a seguirem-me! Todavia, não parei, nem por um minuto. Corri o mais depressa que consegui. Cheguei ao lago, aí percebi que não estava longe!
Entrei em casa, cansada e sem forças… Subi as escadas para o meu quarto e sentei-me na cama, em frente à janela. Ouvia o vento. Lembrei-me do que tinha acontecido, tentei esquecer e jurei a mim mesma nunca contar a ninguém. Iam dar-me como louca, pensei.
Agora, olho para trás, para aquela noite, e penso: “Como seria se tivesse aceitado? Seria eu, agora, uma deusa selvagem?” | Mariana Rodrigues, nº12, 8º D |
3º Prémio | A Cidade dos Deuses Selvagens
Há algum tempo que a cidade de Newtown é invadida por prédios, arranha-céus e camadas de fumo dos carros que atravessam todos os dias e noites aquela cidade.
- Dantes … – comentava o meu avô – estas coisas a que vocês chamam prédios eram muito menos avantajadas… quer dizer… grandes.
- Sim, avô, nós sabemos mas as coisas mudam – dizia a minha prima, sempre agarrada ao telemóvel.
As cidades, todas elas, têm a sua “área rica” e a sua “área pobre”. Infelizmente, em Newtown, a zona pobre era muito grande, e as pessoas, cada vez, mais moravam nas ruas. Ali só andava “gente” sem condições para ter uma vida minimamente razoável, ou seja, idosos com reformas baixíssimas e adultos desempregados.
Até que houve um dia em que um professor propôs aos seus alunos que fizessem um trabalho facultativo sobre a cidade. No dia seguinte, só um rapaz de cabelos ruivos, sardas espalhadas pela cara e uns olhos verdes quase castanhos, é que tinha feito o trabalho. Alvo de gozo, como habitual, ele era muito genuíno e muito calado devido à timidez.
- Mostra lá o que fizeste – disse o professor.
- Leia em casa, por favor – pediu baixinho.
Curioso, o professor guardou a folha para, mais tarde, ler.
-Trring! – tocou a campainha.
Os alunos saíram todos e o professor começou a ler:
«A cidade de Newtown é a cidade dos Deuses, dos senhores ricos, dos que têm dinheiro para tudo, aqueles que têm dinheiro para… têm dinheiro e basta!
A minha mãe diz que somos pobres mas felizes, eu não acredito nela. A redacção era sobre a área geográfica, os locais de interesse, etc… Mas eu vou falar da pobreza. Todos os dias, de manhã, vejo a minha mãe a dividir o leite nas canecas, para mim e para o meu irmão. Enquanto os outros mandam comida fora, a minha mãe esforça-se todos os dias para comermos.
Lembra-se daquela vez em que eu não comprei o livro pedido? Eu não tinha dinheiro. Esta cidade é a cidade das luzes, é linda, grandiosa e majestosa. Mas e a parte feia, degradada e pobre? Ninguém se lembra dela, porquê? Esta cidade é a cidade dos deuses… dos deuses selvagens!»
O professor tirou os óculos, pousa-os na mesa e, sem se aperceber, tinha lágrimas a cair pela cara.
No dia seguinte, Tomé não conseguia olhar para o professor, por vergonha, talvez. Mas o que é certo, é que o professor no final da aula lhe entregou o trabalho e disse:
- É verdade, esta é a cidade dos Deuses Selvagens.
E assim, para aqueles dois, a cidade onde viviam passou a ser A Cidade dos Deuses Selvagens. | Rafaela Marreiros, nº 25, 8º B |
9º Ano
1º Prémio | O Velho que Lia Romances de Amor
Era Dezembro. Sentado na sua poltrona junto à lareira, com uma xícara de café na mão direita e um cachimbo na esquerda, o velho olhava através da janela da sua humilde, mas acolhedora, casa, para a neve que caía no jardim. Estava velho e cansado. Viúvo há mais de vinte e cinco anos, levava uma vida solitária, acompanhado apenas pelo seu leal golden retriever Tim, numa pequena casa de madeira situada numa povoação afastada de tudo e de todos. Os livros eram, realmente, uma importante companhia para si. Desde jovem que era apaixonado pela leitura, porém, nunca tanto como naquele momento. Olhou para cima da bancada e viu a sua peça literária preferida O Velho que Lia Romances de Amor,
Levantou-se com dificuldade, apoiando-se no braço da poltrona, e alcançou o livro. Voltou a sentar-se e suspirou. Já lera aquela obra pelo menos umas quinze vezes, todavia nunca se cansava de repetir. O livro falava de um velho senhor que levava uma vida sem rumo, tendo como única companhia a sua extensa biblioteca de romances que lhe permitiam trocar a realidade pelo mundo ficcional com que sonhava. Identificava-se com aquele livro mais do que com qualquer outra coisa na vida. O seu bisavô tinha-lho oferecido, antes de falecer de depressão, era uma velha edição que, com certeza, valeria muitas moedas douradas. Mas o mais curioso acerca desse livro era que o último capítulo estava em branco. Algo que nunca percebera e muito o intrigava. O desejo de saber o desfecho da história era absorvente. Enfim, deixou os seus pensamentos de lado e abriu novamente o livro na primeira página.
A campainha tocou. Irritado por ter sido interrompido, começou a resmungar para o seu cão, contudo lá se levantou e abriu a porta, enquanto Tim o perseguia e lhe golpeava as pernas com a sua pesada cauda. Do outro lado, encontrava-se uma senhora que parecia apenas um pouco mais nova que ele. Tinha o nariz vermelho e tremia tanto que as palavras que pronunciou foram imperceptíveis. Mesmo não entendendo o que dizia, percebeu que o mais acertado era trazê-la para o calor caseiro, antes que paralisasse de frio.
- Entre senhora, por amor de Deus! – disse preocupado.
- Muito agradecida, senhorrr! – pronunciou com dificuldade pois batia involuntariamente os dentes de tanto frio.
O velho levou-a para a sala e meteu água a aquecer no bule. Enquanto isso, sentaram-se diante da fogueira e, por fim, ela lá conseguiu explicar o que se passara:
- O meu nome é Lucinda. Vivo na Califórnia mas vim a esta vila para encontrar o meu irmão. Perdi-me nos caminhos confusos e, devido ao mau tempo, o meu carro parou de funcionar. Andei bastante até avistar esta casa. Espero que me possa ajudar, peço desculpa pelo incómodo.
- Não, de forma alguma! É meu dever acolhê-la e grande prazer ajudá-la. Diga-me, sabe onde fica exactamente a casa do seu irmão? É provável que ele próprio até seja meu conhecido – disse educadamente.
- Sei que é na Rua Morais Nobres, a segunda casa… uma amarela. O seu nome é Márcio Pereira, é-lhe familiar?
O velho abriu os olhos e sentiu um arrepio na espinha, Márcio tinha sido um grande amigo que o ajudara a ultrapassar a morte da sua esposa. Infelizmente, já havia um par de anos que havia falecido. Deu um último gole na sua xícara de café e, com gentileza, tentou reconfortá-la:
- Cara senhora Lucinda, esse nome é-me mais que familiar. Márcio foi um amigo muito querido entre toda a comunidade e era um homem prestável, bondoso e cheio de vontade de viver. Infelizmente, o tempo levou a sua alma já há cerca de dois anos, por uma causa desconhecida…
Lucinda caiu em choque e desfaleceu nos braços do velho, deixando-o perplexo e imóvel. Rondou a sala com os olhos e pousou-os no seu livro. O livro! Pegou nele e, com o máximo de ternura que conseguiu encontrar, começou a ler as primeiras linhas. Ouvia-se o barulho da chuva a bater no telhado, abafando o som da chuva que caía das faces de Lucinda, enquanto esta se recostava intrigada.
E, pela primeira vez em tantos anos, ocorreu na cabeça do velho que, um dia, gostaria de escrever o capítulo em branco com uma história que ele próprio poderia vir a viver. | Raquel Oliveira, nº 15, 9º D |
3º Prémio | O Velho que Lia Romances de Amor
“Quando se é velho e as pernas pesam, os músculos teimam em mexer cada vez menos e a energia se começa a esgotar, o melhor é ficar em casa.”
Em vez disso, o Sr. Zacarias, homem de setenta e muitos anos, passava os dias, nos parques e nas ruas, a refilar com tudo o que lhe passava à frente.
Quando já estava farto daquilo, pegava no seu livro e lia, lia e lia… As horas passavam e, quando alguém ousava interrompê-lo, para ver o que lia com tanta determinação, virava a capa do livro, onde estava o título, para baixo, fazia cara de mal disposto e dizia assim:
- Ó tu, aí em cima, que mal é que eu te fiz para fazeres com que não me deixem ler em paz? Já não te basta eu mal conseguir andar direito; não ter força para pegar em coisas nas quais pegava, fazendo apenas um pouco de força; falar de uma maneira estranha, por já não ter metade dos dentes… – e assim continuava, até chegar a casa, a refilar com Deus.
Houve um dia em que disse: “Nunca mais vou para aquele maldito parque! Estúpidos! Não deixam ninguém ler, parecem as Tias, sempre na cusquice…
Dito e feito: nunca mais voltou ao parque. Vagueava pela casa, até que, um dia, deu com um caixote cheio de livros. Como nunca mais tinha lido, pegou num e começou a ler. Tal como acontecia no parque, o Sr. Zacarias lia, lia e lia. Parava apenas para fazer o mínimo indispensável.
No fim, contou à mulher, todo entusiasmado, que tinha lido o melhor livro da sua vida. Assim que disse o título, a D. Luísa exclamou:
- Mas esse é um dos romances que eu tinha guardado. Não te sabia dado a esse tipo de leitura.
- Nem eu! Mas entretanto vou ler outro!
Quando já só restava um livro, o Sr. Zacarias exclamou:
- “O meu casamento” de Luísa Sousa?! – que estranho, Luísa Sousa era a sua mulher…Ela escrevia romances?
Completamente dominado pela curiosidade, começou a ler o livro. Era verdade: falava do seu casamento, de uma forma mágica, com “pingos de bruxaria”, devido ao seu mau humor.
Desde esse dia, o Sr. Zacarias mudou tanto que o romance mágico, com bruxaria pelo meio, se tornou numa espécie de conto de fadas, um conto de fadas onde acontecia algo que ele nunca esperou: ele era uma das personagens, uma personagem principal!
Era um romance de amor, o seu romance de amor! | Flávia Sacramento, Nº 10, 9.ºE |




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